Frederico
de Castro
Que é que se pode dizer
de útil da crise atual na FSSPX? É preciso dizer algo, já que o tempo de se
calar ou de falar apenas de maneira reservada já se foi. Com efeito, a crise já
deixou de ser; ou seja, aquele momento de inação, reflexão e conversas atingiu
o seu ápice no mínimo pelo decurso do tempo. Permanecer inertes daqui para
frente seria o mesmo que covardia ou cumplicidade com o erro. É preciso,
portanto, tomar coragem e fazer uma escolha pública. Quem permanecer no
anonimato correrá o risco de em algum momento negar o nome do Senhor ou então
se tornar cúmplice de erros oriundos do liberalismo.
A quem escutar? D.
Fellay ou os Bispos D. Williamson, D. Tissier e D. Galarreta? Provavelmente é a
pergunta que se fazem todas as pessoas que têm sua integridade intelectiva e
moral de alguma forma mais preservadas dos grandes vícios que afligem a alma
humana. Como podemos ter alguma certeza da escolha a se fazer?
Essa não é uma pergunta
simples, mas não é impossível de ser respondida. Pois bem, tomo a palavra para
dizer que o que nós - fiéis que sempre prezamos estar a fazer parte da
resistência católica contra o modernismo - devemos observar é:
Quem está fazendo aquilo que Deus manda que se faça?
Essa é a pergunta que guiará a resposta para aquilo que deve ser
feito.
E afinal, o que Nosso
Senhor nos pediu?
O Magistério da Igreja
sempre o disse: que guardássemos o depósito da fé e que praticássemos boas
obras, indo a ensinar a todos.
Dessa forma, é antes nas
ações e nas palavras que vamos encontrar a resposta para nossas dúvidas e não
nas intenções. As intenções, somente Deus as conhece profundamente, mas das
palavras e das ações não podemos ter qualquer medo de lhes dar o crédito que
elas mereçam receber.
O que está em jogo não é
uma questão de preferência ou de carisma, mas sim a verdade e a justiça em
relação ao modo de viver e conviver da forma como Deus nos ensinou e determinou
que se faça.
Nesse sentido, sabemos
bem que a Roma atual vive como quer e não como Deus manda. É impossível negar
que pelo menos desde o concílio vaticano II Roma tem contrariado
sistematicamente o magistério bimilenar da Igreja. Aqui no blog do SPES
qualquer interessado pode encontrar, talvez, o mais amplo material em língua
portuguesa sobre a crise conciliar do vaticano II.
Monsenhor Lefebvre, o grande
nome da resistência antimodernista, afirmou categoricamente que a Roma atual
está vivendo uma apostasia. Palavras duras e verdadeiras do fundador da FSSPX.
Palavras que vem sendo tiranicamente ignoradas pelos atuais superiores da FSSPX.
Logo, se entrarmos em
sua convivência, de duas uma: ou vamos nos tornar cúmplices de sua
desobediência ou então passaremos a nos voltar contra os nossos próprios atos;
seja por hipocrisia, seja por covardia ou derradeiramente por soberba. Afinal
de contas, quem afirma que pode viver em um ambiente tomado pela fumaça de
Satanás (expressão deveras conhecida pelos que já leram um mínimo sobre a
crise) e se diz imune, só pode estar tomado de profunda soberba e, na
verdade, ou confia demasiadamente em si próprio ou, no mínimo, está a por em
prova o nome de Deus.
Alguns irão dizer que os
que se opõem ao acordo com Roma faltam contra a caridade ou que são
intolerantes, irresignados ou impacientes. Nada mais absurdo e falso! Esse
tolerantismo atual já é verdadeiramente o primeiro passo para o mais rasgado
modernismo. É preciso que se saiba que sobre essas virtudes das quais tais
pessoas nos acusam de estarmos em falta – dentre o muito que pode ser dito –
não tem a extensão que elas agora, somente agora, defendem.
É fácil e cômodo dizer
que se deposita total confiança em D. Fellay e abolir todo o mais que essa
manobra implica para o futuro da resistência católica no mundo. Ora, se é assim
com ele, por que não o fazem logo com o Papa? Afinal de contas a quem assiste
mais prontamente o Espírito Santo e quem é a regra próxima da fé?
A paz e a unidade fora
da verdade podem ser facilmente representadas na inércia dos cadáveres. Alma,
animada por Deus mesmo, uma vez separada do corpo faz com que esse não passe de
fétida matéria corrompida.
Se Roma ainda não está
morta é porque Nosso Senhor mesmo garantiu que isso não aconteceria; mesmo
assim, essa espécie de gangrena não poderá ser curada sem que aceitem tomar do
remédio amargo da verdade e da justiça. Insisto: juntar-se ao doente sem
proteção da graça é tentar a Deus! e essa graça que vem dos sacramentos não se
faz sentir sem que se cumpra a justiça que por eles se deve fazer, em
obediência ao que Deus manda e não ao que os homens exigem, ainda que esses
homens estejam debaixo do digníssimo sacramento da ordem.
Dito isso: quem está
fazendo o que Deus manda? Dizeis por vós mesmos e tomem conta de que
responderão por isso.
Deus nos proteja a
todos.